Faça persuasão como uma criança

Esse final de semana eu estava na praia com um amigo e meu afilhado de 8 anos.

O moleque estava na água se divertindo sozinho. Eu e o pai dele estávamos sentados na areia, cerveja na mão, sem a menor vontade de molhar o corpo.

O garoto queria o pai dentro do mar. E o pai não ia.

Começou chamando de longe, gritando pra acenar. Não funcionou. Veio até a areia, puxou o braço, fez birra. Também não funcionou. Voltou pra água bravo, ficou uns minutos pensando, e aí veio a sacada.

Virou pro pai e disse:

“Pai, vi uma arraia na água!”

Ninguém acreditou, claro. Naquela faixa da praia de Santos não aparece arraia, e todo mundo ali na areia sabia disso.

Mas eu dei corda pra ver onde a história ia.

Perguntei onde ele tinha visto. Ele apontou um canto qualquer. Perguntei o tamanho, e ele abriu os braços mostrando uma arraia do tamanho de um cachorro. Perguntei a cor, e depois de pensar um pouco ele disse que era marrom com pintinhas. O pai dele, rindo de canto de boca, fingia considerar a história.

O moleque insistiu.

Voltou três, quatro vezes na história da arraia, foi aumentando os detalhes, veio de novo puxar o braço do pai pedindo pra ele ir ver de perto. Foram uns 10 minutos nisso.

No fim, o pai entrou na água.

Não por causa da arraia, que nem ele acreditou que existia. Entrou porque o moleque foi insistente, e a história deu um motivo simpático pro pai ceder sem parecer que tinha cedido.

Uma criança de 8 anos, sem ter lido nada sobre vendas, sem curso de persuasão, sem saber o que é copy, fez exatamente o que um bom vendedor faz quando quer levar alguém de um ponto a outro.

E o mais engraçado é que isso não é nada novo.

Gary Halbert já falava disso há mais de 50 anos

Ele foi um dos copywriters mais respeitados da história da publicidade direta americana, apelidado de “Prince of Print” por escrever cartas de venda que eram enviadas pelo correio e geravam milhões de dólares muito antes da internet.

A carta mais famosa dele, a Coat of Arms Letter, foi escrita em 1971 e continuou sendo enviada por mais de 30 anos, num total estimado em 600 milhões de envios.

Essa carta vendia um relatório sobre o brasão da família do destinatário por dois dólares, e começava com uma abertura pessoal contando uma pequena história sobre a origem dos sobrenomes e o significado histórico daquele nome de família específico.

Só depois de montar esse contexto é que aparecia a oferta do relatório.

Cerca de 80% das cartas que Gary Halbert escreveu na vida começavam com uma história assim:

Uma cena, um personagem, uma situação. Só depois de prender a atenção do leitor é que ele oferecia o produto.

Numa entrevista com Michel Fortin, Gary Halbert explicou que história é a ferramenta mais poderosa de copy justamente porque a pessoa entra pelo enredo, se envolve, e quando percebe já está lendo sobre um produto que faz sentido dentro daquela história.

Não há resistência porque o leitor não sentiu que estava sendo vendido, sentiu que estava acompanhando algo interessante.

Ou seja:

Aquilo que meu afilhado fez instintivamente pra tirar o pai da areia é a mesma estrutura que um dos caras mais estudados da história da publicidade direta usava pra vender milhões de dólares em produtos por carta.

História primeiro. Oferta depois. E se não colar de primeira, insiste de outro jeito.

Por que isso importa pra quem vende pela internet

Tem muito dono de negócio digital que já leu livro de copy, fez curso de escrita persuasiva, aprendeu meia dúzia de gatilhos mentais, e mesmo assim continua mandando e-mail seco pra lista — e não vende.

Abre o e-mail com a oferta. Apresenta o produto no primeiro parágrafo. Lista benefícios. Coloca um desconto no final. Envia. Não vende quase nada. (Ou vende se a oferta for MUITO boa)

Fica quieto por duas ou três semanas achando que “a lista está fria”, e quando volta a aparecer manda outro e-mail igualzinho, com uma promoção um pouco mais agressiva, esperando um resultado diferente.

Faltou o que o moleque de 8 anos entendeu sozinho:

Uma história pra dar contexto ao convite. Algo que faça o leitor querer continuar lendo antes da oferta aparecer.

Não precisa ser uma história grandiosa.

Pode ser uma cena boba do fim de semana, um cliente que te fez uma pergunta curiosa, uma coisa que você observou numa conversa, ou até uma lembrança da infância.

O que importa é que a história transporte o leitor para o cenário, crie um insight sobre uma dor ou desejo dele e depois apresenta a oferta como solução.

Até que é bem simples, na verdade.

E quando o primeiro e-mail não vender, não é motivo pra sumir.

É motivo pra voltar com outra história, outro ângulo, outra forma de dizer a mesma coisa.

Foi assim que meu afilhado conseguiu o que queria, e é assim que os caras que vendem por e-mail há décadas continuam vendendo.

Gary Halbert fazia isso em 1971.

O moleque fez isso num sábado de sol aqui em Santos.

E provavelmente funciona porque o cérebro humano é o mesmo desde sempre — gosta de ser levado por uma história antes de ser convidado a fazer qualquer coisa.

Se a sua lista não está comprando, antes de achar que ela esfriou, olha o último e-mail que você mandou e se pergunta onde está a história dentro dele.

Se não tiver nenhuma, talvez seja por aí 😉

Alan Chiapetta

Como é viver com uma curiosidade que não desliga

Desde criança eu sou uma pessoa curiosa.

E quando digo curiosa, não estou falando de curiosidade sobre um assunto. Estou falando sobre tudo. Literalmente tudo.

Sabe aquela criança que fica perguntando “por quê?” sem parar até o adulto surtar? Era eu. Só que eu nunca parei de perguntar. Cresci e a coisa piorou. Cada resposta abria cinco perguntas novas e cada pergunta me levava pra um buraco de coelho diferente.

Minha cabeça funciona como um navegador com 97 abas abertas ao mesmo tempo.

Eu passo uma tarde inteira mergulhado em como funciona o sistema de refrigeração de um submarino nuclear e no dia seguinte estou obcecado com rituais funerários no Egito antigo.

Sem nenhuma conexão entre os dois. Só porque me deu vontade de saber.

Vou te dar 3 exemplos pra você entender o nível da coisa.

1. Orcas não são boazinhas

Quando uma orca encontra uma foca descansando num bloco de gelo, ela não ataca direto. Chama o grupo. O grupo inteiro nada em formação na direção do gelo, mergulha junto antes de chegar e cria uma onda que derruba a foca na água.

Mas elas não comem a foca na hora.

Na verdade, começam a brincar com ela. Jogam a foca de uma pra outra com a cauda, tipo ping-pong. Uma bate a foca com a nadadeira e lança ela uns 10 metros no ar. A outra já está posicionada do outro lado e faz a mesma coisa.

Os golpes vão afrouxando a pele da foca. Quando finalmente decidem comer, a pele descasca e elas chegam direto na gordura sem esforço.

Amaciaram a comida antes de comer.

E o mais louco: as orcas mais velhas ensinam essa técnica pros filhotes. Capturam a foca, jogam pro filhote praticar, e quando ele perde a presa, a mãe recaptura e devolve.

Aula de caça com presa viva em alto mar.

2. Os egípcios levavam a morte mais a sério que a vida

Quando um faraó morria, o corpo passava por um ritual de mumificação de 70 dias. Removiam o cérebro pelo nariz com um gancho de bronze — pra eles o cérebro não valia nada. O que importava era o coração, onde morava a essência da pessoa.

Depois removiam os órgãos e cobriam o corpo com natrão pra desidratar por 40 dias.

Mas a parte que me fascinou mesmo foi o que vinha “depois da morte”.

A alma precisava atravessar o Duat — o mundo dos mortos — e a prova final era a pesagem do coração. Colocavam o coração numa balança. Do outro lado, a pena de Maat, deusa da verdade. Se o coração fosse mais leve que a pena, a pessoa seguia pro paraíso. Se fosse mais pesado, era devorado por Ammit — uma criatura com cabeça de crocodilo e corpo de leão.

E a alma simplesmente deixava de existir. Não havia inferno. A pessoa acabava. Pra eles, o pior destino possível.

Quem ficava ali observando tudo? Seth. O deus do caos. O irmão que matou Osíris por inveja. A presença dele era um lembrete de que o caos está sempre à espreita, mesmo no momento mais sagrado da existência.

Fiquei semanas pesquisando cada detalhe desse ritual. Não me pergunte por quê. Não tem por quê.

3. Suas opiniões podem não ser suas

Estar em transe não é ficar com os olhos vidrados balançando pra frente e pra trás como aparece nos filmes. Na verdade, é um estado de foco intenso onde a mente consciente relaxa e o subconsciente fica mais receptivo a sugestões.

Você entra em transe várias vezes por dia. Quando dirige no automático sem lembrar do trajeto. Quando lê um livro e o mundo desaparece. Quando fica rolando o celular e quando vê já passou uma hora. Ou quando fica procurando seu óculos com eles já no seu rosto.

Na terapia, a hipnose usa esse estado pra acessar padrões que a pessoa não consegue mudar só com força de vontade. Alguns especialistas dizem que muita coisa que a terapia convencional leva anos pra tratar, a hipnoterapia resolve em poucas sessões — porque vai direto na raiz.

Se é verdade ou não, não sei. Mas enfim…

Porém o lado sombrio da hipnose é o que me manteve acordado por noites.

Veja: se o subconsciente é sugestionável quando a mente consciente relaxa, qualquer meio que consiga fazer isso com grandes grupos de pessoas ao mesmo tempo se torna uma ferramenta de controle poderosa.

A propaganda nazista de Goebbels, por exemplo, era construída sobre repetição e sobrecarga emocional que colocavam populações inteiras num estado de sugestionabilidade coletiva.

Uma mensagem repetida mil vezes deixa de parecer mensagem externa e passa a parecer pensamento próprio.

Acontece até hoje com algoritmos das redes sociais que selecionam o que você vê pra reforçar o que já acredita.

Fascinante? Pra mim, absurdamente. Útil pra minha vida naquele momento? Nenhuma utilidade.

Mas eu precisava saber.

O problema de querer saber tudo

Poderia passar séculos dando exemplos. Sobre motores de foguete, rotas de especiarias, por que certos acordes musicais causam tristeza. Tenho esses buracos de coelho acumulados desde que me entendo por gente.

Mas essa curiosidade que nunca se satisfaz sempre foi uma maldição quando se tratava de ter uma profissão.

Eu nunca consegui me interessar por algo e focar ali pra sempre.

Por isso já fui de tudo nessa vida:

Já fui atendente de suporte técnico de internet — aquele cara que te pede pra desligar e religar o modem. Trabalhei numa fábrica de lacres para containers. Fui assistente técnico de equipamentos odontológicos, consertando cadeiras elétricas de dentista, compressores de caneta de alta rotação e autoclaves de esterilização — aprendi cada circuito daquela parafernalha toda.

Fui músico. Toquei guitarra e violão em bandas nas noites de Santos e da Baixada Santista. Sertanejo num bar na quinta, rock num pub no sábado, reggae num aniversário no domingo.

Fui técnico em redes de comunicação. Criei sites de nicho pra vender produtos de afiliado — e quase arranquei meus olhos escrevendo o décimo artigo sobre “os 10 melhores aspiradores robô de 2019”.

E no meio disso, fui gerente de uma transportadora de containers no Porto de Santos.

Ficava mais de 30 horas seguidas em operação, muitas na madrugada, com rádio Nextel e telefones tocando ao mesmo tempo. Discutindo com clientes que queriam seus containers pra ontem, armadores que mudavam navios de horário sem avisar, terminais que travavam por documentação e caminhoneiros que simplesmente não apareciam para o trabalho.

Só de lembrar me deixa nervoso.

Enfim… fiz tanta coisa que nem lembro mais.

Mas o padrão era sempre o mesmo: eu entrava empolgado, aprendia tudo, ficava bom naquilo, mas a monotonia da rotina e dos processos engessados faziam minha vontade de acordar para trabalhar morrer.

O lugar onde a curiosidade finalmente serviu pra alguma coisa

Até que eu encontrei um lugar onde essa curiosidade incessante virou matéria-prima em vez de defeito.

Hoje, o que eu faço na essência é simples: escrevo campanhas de e-mail pros meus clientes onde conto histórias sobre qualquer assunto e conecto isso com uma oferta que precisa ser vendida.

As orcas caçando focas podem virar um e-mail sobre estratégia de vendas. Os rituais egípcios podem virar uma história que conecta a produtos para pessoas barbudas. A hipnose pode virar um argumento sobre por que as pessoas compram por emoção e só depois justificam com lógica.

Qualquer coisa que me fascina pode ser conectada a uma oferta que gera dinheiro pro bolso dos meus clientes — e pro meu. E de quebra ainda mato essa curiosidade que me persegue desde criança.

Me encontrei nessa jornada há, pelo menos, 5 anos — o tempo mais longo que já me dediquei em uma única profissão.

Se existe emprego melhor no mundo, não sei qual é.

Mas hoje sinto que poderia fazer o que faço hoje enquanto minha mente estiver sã, meus dedos foram aptos a digitar minhas maluquices e, obviamente, minhas estratégias gerarem dinheiro para o negócio dos meus clientes.

E, depois de todos os caminhos errados que percorri, hoje posso dizer que me sinto realizado.

Finalmente 🙂

Alan Chiapetta

12 meses jogados no lixo

Outro dia eu estava procurando um documento no computador e esbarrei num bloco de notas que tinha esquecido que existia.

Eram as metas que eu escrevi ao longo do ano passado.

Abri por curiosidade. E o que encontrei não foi nada bonito.

De todas as metas que eu tinha escrito ali, não bati quase nenhuma.

A primeira reação foi uma certa pontada de frustração. Bateu aquele sentimento de “mais um ano que passou e eu não fiz o que disse que ia fazer”. Todo mundo que já escreveu uma lista de metas sabe do que estou falando.

Mas ao invés de fechar o arquivo e fingir que não vi, fiquei olhando pra aquela lista tentando entender o que tinha dado errado.

E percebi uma coisa que mudou a forma como pretendo encarar as coisas daqui pra frente.

Primeiro: Falta de vontade não era a resposta

Eu realmente queria cumprir aquelas metas. Cada uma delas fazia sentido quando escrevi. Não eram metas absurdas, do tipo “faturar 10 milhões” ou “ficar com o shape do Ramon Dino sem tomar ‘suco’”. Eram coisas dentro da minha realidade.

Mas eu coloquei metas demais ao mesmo tempo.

E o que acontece quando você tenta mudar muita coisa ao mesmo tempo? Você não muda nada.

Fiquei analisando meta por meta e separei em dois grupos: as que eu cumpri e as que não cumpri.

A diferença entre os dois grupos?

As que eu cumpri tinham virado hábito. As que não cumpri, não.

Parece óbvio quando você lê assim. Mas na hora de planejar o ano, ninguém pensa dessa forma. Você escreve a meta como se o ato de escrever já garantisse que ela vai acontecer. Só que não garante nada.

Minha suposição, então é: a meta só vira parte da sua rotina a ponto de você fazer no automático, sem precisar de motivação nem de convencimento, quando ela vira hábito.

E quando não vira, acontece o que aconteceu comigo: você troca a meta por qualquer outra coisa que pareça mais urgente ou mais fácil no momento.

O que virou hábito e o que não virou

Vou te dar um exemplo.

Uma das minhas metas era manter a produção de campanhas de marketing para os meus clientes num ritmo diário. Essa meta eu bati com folga. Faço todo dia com os pés nas costas. Nem preciso pensar, sento e faço.

Por quê? Porque virou hábito há muito tempo. É tão automático quanto escovar os dentes.

Talvez funcionou por ser uma obrigação e também ser o que coloca comida na minha mesa? Talvez. Mas ainda assim é um hábito.

Agora, ir à academia. Essa era outra meta. E durante um bom tempo, estava funcionando. Eu ia todo dia às 08h45, sem falta. Tinha virado hábito de verdade.

Até que tive uma lesão na coluna que me deixou meses parado. Quando digo meses, estou sendo gentil. Passei quase 12 meses praticamente deitado na cama com uma hérnia de disco que inflamou o ciático a ponto de nem morfina resolver a dor.

Quando finalmente melhorei o suficiente pra poder voltar, o hábito já tinha morrido. E reconstruir um hábito que morreu é muito mais difícil do que criar um do zero — porque agora além de ter que criar a rotina de novo, você ainda carrega o peso psicológico de ter parado.

Outra meta era prospectar mais clientes. Essa nunca chegou nem perto de virar hábito. Depois que fiquei confortável com minha agenda e com o faturamento que já tinha, somado ao fato de ter bastante tempo livre, fui empurrando com a barriga. Sempre tinha algo “mais importante” pra fazer do que arrumar mais trabalho.

Percebe o padrão?

O que era hábito, aconteceu sem esforço. O que não era, foi substituído por qualquer outra coisa ao longo do ano. E no final, quando abri aquele bloco de notas, que a ficha caiu.

O que eu fazia no lugar das metas

Essa é a parte que mais me incomodou quando parei pra pensar.

Nos horários em que eu deveria estar prospectando ou na academia, o que eu estava fazendo?

Trocentas coisas que pareciam importantes mas não eram.

Respondendo mensagens que podiam esperar, mexendo em ferramentas que já estavam funcionando, reorganizando coisas que não precisavam ser reorganizadas. Qualquer coisa que me desse a sensação de estar sendo produtivo sem exigir o esforço real das metas que eu estava evitando.

O cérebro é especialista em te dar a sensação de produtividade enquanto você evita o que realmente vai fazer você avançar. Você passa o dia inteiro ocupado e chega no final achando que trabalhou muito — mas quando olha pra lista de metas, nenhuma delas andou.

E a raiz disso, no meu caso?

Eu tinha coisas demais competindo pela minha atenção.

Quando tudo é prioridade, nada é prioridade.

Agora é hora de testar uma nova abordagem

Depois de encarar aquele bloco de notas por um bom tempo, tomei uma decisão.

Vou reduzir minha rotina ao mínimo de coisas importantes possíveis. Não o mínimo confortável — o mínimo real. Só o que de fato move a minhas metas pra frente.

De manhã: academia e trabalho. Cuidar do corpo e produzir as campanhas pros meus clientes. Nada mais.

De tarde: prospecção e estudo. Buscar novos clientes e adquirir ou aprimorar minhas habilidades. Nada mais.

De noite: descompressão. Descansar, ficar com as pessoas que amo, fazer coisas que recarregam minha energia. Sem culpa.

Três blocos, cada um com um propósito claro. E tudo que não se encaixa nesses blocos vai ter que esperar — ou simplesmente não vai ser feito.

Parece radical? Talvez.

Mas a alternativa é o que eu vivi no ano passado: fazer um pouco de tudo e não completar quase nada.

Me parece um bom teste.

Derrubando dominós

Tem um livro chamado “A Única Coisa” de Gary Keller que explica melhor por que essa abordagem poderá funcionar.

A ideia central do livro é uma pergunta: “Qual é a única coisa que eu posso fazer, de modo que ao fazê-la tudo o mais se torne mais fácil ou desnecessário?”

Parece simples demais pra funcionar. Mas o conceito vai mais fundo do que parece.

O que Keller descobriu estudando pessoas extraordinariamente produtivas é que elas não fazem mais coisas que as outras. Elas fazem menos. Muito menos. Mas as poucas coisas que fazem são as certas, na ordem certa.

Ele usa a imagem de dominós pra explicar: um dominó pequeno, quando cai, derruba um dominó um pouco maior. Que derruba um maior ainda. E assim por diante. O segredo é encontrar o primeiro e menor dominó e dar um peteleco nele.

E é exatamente o erro que acho que cometi no ano passado. Eu tentei empurrar todos os dominós ao mesmo tempo. Academia, prospecção, novos projetos, estudos e mais trocentas coisas pessoais que não tive coragem de dizer aqui, tudo de uma vez. E nenhum desses dominós caiu.

O que talvez eu deveria ter feito — e o que vou tentar fazer agora — é colocar as coisas em fila. Pegar a primeira, transformar em hábito até ela rodar sozinha, e só então passar pra próxima.

No meu caso, o primeiro dominó é a academia. Porque se meu corpo não funciona, nada mais funciona. Eu já senti isso na pele durante 12 meses deitado numa cama.

Quando a academia virar hábito de novo — e vai virar, porque já foi uma vez — o próximo dominó é a prospecção. E quando a prospecção virar hábito, aí sim eu posso pensar em adicionar mais alguma coisa.

Um de cada vez, na ordem certa, até cada um virar tão automático que não precise mais de esforço consciente pra acontecer.

Vai funcionar?

Só Deus sabe. Mas não custa tentar 🙂

Se você se identificou — se também tem uma lista de metas do ano passado que não bateu, ou se está tentando mudar muita coisa ao mesmo tempo sem conseguir mudar nenhuma — talvez a resposta não seja se esforçar mais.

Talvez a resposta seja fazer menos. Escolher o primeiro dominó e focar nele até cair. E só quando ele cair, passar pro seguinte.

Não é sexy e não dá pra postar no Instagram (até dá, mas só uso aquela rede pra assistir memes enquanto estou no “trono”). Mas acho que funciona.

Se tentar me fala.

Alan Chiapetta

Quem não chora não mama

Tem um livro chamado “Go for No” que fala sobre a importância de buscar o “não”, e não apenas o “sim” nas vendas.

O foco é mudar a mentalidade à respeito do bloqueio que muitos vendedores tem sobre vendas. Afinal, muitos têm medo de prospectar e dar de cara na porta, por isso, deixam de vender e evoluir na carreira.

Enfim…

Uma das partes que mais ficou na minha cabeça é um trecho que dizia mais ou menos assim: “Pedi um biscoito pra minha mãe e ela disse não. Pedi de novo e ela disse não. Pedi de novo e ela me deu o biscoito.”

Simples assim.

Isso me lembrou de um cara que eu conheci que tocava guitarra absurdamente bem. Tipo, o cara fazia solos que arrepiavam. Já tocava há mais de 10 anos e tinha os melhores equipamentos e repertório de sobra.

Mas nunca tinha se apresentado pra ninguém fora do quarto dele.

Quando perguntei por que ele nunca tinha montado uma banda ou tocado em algum bar, a resposta foi a clássica: “Ah, ainda não tô pronto.”

Dez anos tocando e ainda não estava pronto.

Enquanto isso, um amigo dele que não chegava nem perto da sua técnica se apresentava todo fim de semana num barzinho da cidade. Não tocava nada extraordinário, mas estava lá, fazendo acontecer. E já ganhava um trocado com isso.

A diferença entre os dois era que um abria a boca, se jogava sem medo da rejeição, e o outro ficava esperando o momento perfeito que nunca chegava.

Quem não chora não mama.

Você pode ler isso e pensar “que desperdício de talento”. E é mesmo.

Mas antes de julgar, pensa comigo.

Quantos donos de negócio digital fazem exatamente a mesma coisa com seus clientes?

Têm uma lista com milhares de pessoas que já compraram. Gente que já confiou e já pagou.

E o que fazem com essa lista?

Nada. Ou quase nada.

Mandam um conteudozinho de vez em quando. Um lembrete aqui e ali. E ficam esperando que as vendas aconteçam sozinhas — como o guitarrista esperando estar pronto pra tocar pra alguém.

E alguns vão além: criam uma comunicação tão engessada e corporativa que afasta até quem estava disposto a comprar de novo. Como o músico que quando finalmente toca pra alguém, escolhe só música com uma técnica difícil que ninguém curte em vez de tocar algo que o público quer ouvir.

Aí quando as vendas não vêm, procuram a solução nos lugares errados. Compram mais um curso de tráfego ou entram num mastermind caro — como o guitarrista que compra mais um pedal achando que o problema é o equipamento.

A verdade é mais simples do que parece.

Se você tem uma lista de clientes e não está fazendo ofertas pra ela com regularidade, você está literalmente de boca fechada esperando ser alimentado.

Você não precisa de um novo funil nem de mais seguidores. Só precisa abrir a boca e falar com quem já está ali.

Manda um e-mail e faz uma oferta. Pergunta o que eles precisam. É só isso.

Quem não chora não mama. E quem não manda e-mail não vende.

Alan Chiapetta

A simplicidade em um mundo cheio de fórmulas

Eu fico impressionado com a quantidade de termos novos que surgem todo mês no mercado digital.

Funil de webinário perpétuo automatizado.

Lançamento pago.

Método de escala 4x.

Framework de conversão em 12 etapas.

Cada guru inventa um nome bonito, coloca uma embalagem diferente e vende como se fosse a descoberta do século.

E você, na boa vontade de querer crescer, vai comprando.

Compra o curso do funil.

Contrata a ferramenta do funil.

Contrata alguém pra montar o funil.

Descobre que precisa de outra ferramenta.

Contrata mais alguém pra integrar as ferramentas.

E por aí vai.

Daqui a pouco você tem 5 ferramentas, 3 freelancers, um processo que ninguém entende direito e uma planilha de custos que dá medo de abrir.

E o resultado?

Muitas vezes o mesmo — ou pior — do que antes.

O que pouca gente para pra perceber é que por trás de todos esses termos bonitos existe a mesma coisa que já funciona há mais de 100 anos.

Claude Hopkins escreveu Scientific Advertising em 1923.

Lá ele já falava sobre testar ofertas em pequena escala antes de investir pesado.

Sobre medir resultados, falar a língua do cliente, fazer ofertas diretas e claras, entre outras coisas.

Cem anos atrás.

Sem internet, sem IA e sem Kiwify.

Gary Halbert fazia fortunas com uma carta, um envelope e um selo.

O que esses caras tinham em comum?

Simplicidade.

Uma oferta clara. Uma lista de pessoas interessadas. Uma mensagem bem escrita. Fim.

Não precisavam de 12 etapas, 5 ferramentas e 3 meses de preparação pra vender.

E o mais louco é que isso continua funcionando hoje, exatamente do mesmo jeito.

Quer testar uma oferta nova no seu negócio?

Você precisa de 3 e-mails e um Google Docs.

No primeiro e-mail você conta o que está pensando em criar e pergunta se faz sentido.

Apresenta a oferta com os detalhes num Google Docs simples para quem respondeu o primeiro e-mail

No terceiro você faz um follow-up e tira uma ou outra dúvida.

Se vender, a oferta está validada.

Se não vender, você economizou meses de trabalho e milhares de reais que gastaria montando algo que ninguém quer.

3 e-mails, um documento e sua lista de clientes.

É simples demais? É.

E é justamente por isso que funciona.

Porque enquanto todo mundo está ocupado montando a próxima máquina complicada, você já testou, validou e vendeu.

O problema é que simplicidade não vende curso de guru.

Ninguém paga 40 mil numa mentoria pra ouvir “manda 3 e-mails e um Google Docs”.

Mas funciona.

Há 100 anos funciona.

Alan Chiapetta

O perigo de aprender com os “reis do lançamento”

Esse é um texto pra você refletir.

Principalmente sobre se o modelo de negócio que você está seguindo realmente vai te levar onde você quer chegar.

Começando:

Quando se fala em marketing digital no Brasil, os profissionais que mais se destacam são os que fazem lançamentos.

Érico Rocha, Leandro Ladeira, e toda a turma que gira em torno da “fórmula de lançamento”.

As empresas que seguem esse modelo são, sem dúvida, as que geram os maiores números de faturamento em curtos períodos de tempo.

São também as que mais postam prints de resultados, e de como são “fora da curva”, e de como faturaram 2, 5, 10 milhões em 7 dias.

Ok.

Mas se essas empresas faturam tanto, por que muitas delas vivem num ciclo de montanha russa financeira?

Por que tantos experts que faturam milhões em lançamento vivem reclamando de margem de lucro baixa?

E por que quase todos precisam de equipes enormes, meses de preparação e centenas de milhares em anúncios pra fazer o próximo lançamento funcionar?

Talvez você pense que é o preço do sucesso e que faz parte do jogo.

Mas essa não é toda a verdade.

A verdade, segundo relatos de vários experts e suas equipes, é que eles não possuem previsibilidade.

Como assim?

Basicamente, eles vivem do próximo grande lançamento.

A cada 3 ou 4 meses eles precisam montar uma operação gigante, investir pesado em anúncios, produzir semanas de conteúdo, fazer lives de 2 horas, estressar a equipe inteira e torcer pro resultado cobrir os custos.

É uma verdadeira loucura pra quem trabalha nesse modelo.

Além disso, entre um lançamento e outro a receita cai drasticamente.

Em muitos casos vai pra quase zero.

O que não os deixa construir uma operação financeiramente estável e aumenta a dependência do próximo grande evento pra pagar as contas.

Ou seja:

É sim uma máquina de gerar faturamento, mas que possui um custo altíssimo e vive a poucos passos do burnout — do dono e de toda a equipe.

Agora olha um dado interessante.

A maioria desses experts que fazem lançamentos de milhões possui listas de 50, 100, 200 mil pessoas que já compraram algo deles em algum momento.

Clientes.

Não leads.

Clientes.

E o que eles fazem com essa lista entre um lançamento e outro?

Quase nada.

Mandam um conteúdo aqui, um lembrete ali, e só.

A lista fica parada esperando o próximo lançamento.

Agora pensa comigo.

O Ramit Sethi, lá fora, construiu um negócio de centenas de milhões de dólares vendendo para a mesma base de clientes, com e-mails, sem lançamentos gigantes, sem equipes de 50 pessoas.

O Justin Welsh fatura mais de 5 milhões por ano sozinho, com uma newsletter e ofertas para sua base.

O Ben Settle vende todos os dias com um e-mail por dia. Sem lançamento, sem time e sem anúncio.

Todos eles têm algo em comum:

Focam no relacionamento com quem já está na lista.

Não dependem do próximo grande evento.

Não precisam de 3 meses de preparação pra faturar.

Não vivem em montanha russa.

Pense nisso.

E pense também sobre seu modelo de negócio.

Porque o modelo que você segue vai determinar como é seu dia a dia pelos próximos anos.

Se você vive no ciclo de lançamento — você vai viver sempre em busca do próximo, num ritmo que não para, com um negócio que depende de tudo dar certo de uma vez.

Ou…

Você pode entender que o dinheiro de verdade está nas pessoas que já compraram de você, no relacionamento verdadeiro com elas — e construir um negócio mais tranquilo, previsível e lucrativo.

Tudo depende do que você quer pra sua vida.

Você prefere tocar um negócio que fatura todo mês com quem já confia em você… ou um que depende do próximo grande lançamento pra sobreviver?

Prefere investir centenas de milhares em anúncios pra atrair gente nova.. ou usar a lista de clientes que já possui e fazer novas vendas a custo zero?

Prefere montar uma operação de guerra a cada 3 meses ou… enviar alguns emails por semana que geram relacionamento e vendas?

Enfim.

Se você quer o caminho do relacionamento e da previsibilidade, saiba que trabalhar sua base de clientes com e-mails é uma das maneiras mais simples de construir isso.

Reflita 😉

Alan Chiapetta

Você está deixando R$ 50 mil por mês na mesa (e nem percebeu ainda)

Deixa eu te fazer uma pergunta direta:

Quanto você gastou em tráfego nos últimos 3 meses?

R$ 20 mil? R$ 40 mil? R$ 60 mil?

Agora me responde outra coisa:

Quantas vezes você vendeu pra mesma pessoa que já comprou de você?

Uma vez? Duas no máximo?

Aqui está o problema:

Você está correndo atrás de lead novo todo santo dia enquanto tem uma fortuna dormindo em cima da sua mesa.

Sua lista de e-mails.

Aquela mesma que você alimentou com tanto suor, dinheiro e noites sem dormir está ali, parada, acumulando poeira digital.

E enquanto isso você continua queimando R$ 15 mil por mês em Meta Ads pra trazer gente nova.

Faz sentido?

Deixa eu te mostrar o tamanho desse buraco no seu bolso:

Se você tem 10 mil contatos na lista, cada um vale entre R$ 50 e R$ 300 por ano em receita potencial.

Faz a conta: 10 mil x R$ 150 (média conservadora) = R$ 1.500.000 por ano.

Isso é R$ 125 mil por mês.

Agora olha pro seu faturamento atual e me diz: você está extraindo nem 40% disso, certo?

Provavelmente nem 20%.

O resto? Está evaporando.

Enquanto você está gastando R$ 38 por lead novo, tem gente na sua lista pronta pra comprar de novo. E de novo. E de novo.

Mas você não oferece nada pra elas.

Só aquele e-mail de quinta-feira com “dica da semana” que ninguém lê.

Olha, eu não estou aqui pra te julgar.

Estou aqui porque vi isso acontecer com dezenas de infoprodutores.

Gente faturando R$ 30 mil por mês que poderia estar faturando R$ 100 mil.

Com a mesma lista.

Zero tráfego novo.

Zero trabalho adicional.

Só vendendo direito pra quem já está dentro.

Nos próximos dias vou te mostrar exatamente como isso funciona.

Como transformar sua lista num ativo que gera receita todo mês.

Sem depender de lançamento.

Sem depender de algoritmo.

Sem gastar mais um centavo em anúncio.

Por hoje fica a reflexão:

Quanto dinheiro você está deixando na mesa?

Um abraço.

Alan Chiapetta
Backend Marketing

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